A Diarreia em Animais de Estimação
2024-11-22
A diarreia não é uma doença em si, mas sim um sintoma de várias condições, afetando tanto cães quanto gatos. A diarreia é uma das principais causas de consulta de Gastroenterologia Veterinária e em muitos casos é também ela a razão da Consulta de Urgência do seu gato ou cão.
Por que a diarreia é preocupante?
Desidratação: A perda excessiva de líquidos pode levar à desidratação, uma condição séria, especialmente em animais mais jovens e animais idosos.
Desnutrição: A diarreia pode dificultar a absorção de nutrientes, causando perda de peso e fraqueza.
Doenças: A diarreia pode ser um sintoma de doenças mais graves, como infeções bacterianas, virais ou parasitárias, pancreatite, alergias alimentares, ou tumores, entre outras.
Características de diarreia
A diarreia caracteriza-se pelo aumento na frequência, volume e diminuição da consistência das fezes, podendo conter muco, sangue, gordura ou alimentos não digeridos. É importante distinguir entre diarreias originadas no intestino delgado e grosso, pois cada tipo apresenta características específicas que ajudam no diagnóstico e tratamento.

Tabela 1: Classificação do tipo de diarreia segundo a localização anatómica.
Após identificar a origem da diarreia, é importante determinar se ela é de caráter agudo ou crónico.
Tipos de Diarreia
1. Aguda: Geralmente dura menos de 48 horas, podendo conter muco e sangue. É acompanhada por perda de apetite, urgência e aumento na frequência de defecação.
2. Crónica: Persiste por mais de 7 a 10 dias, com fezes frequentemente escuras devido à presença de sangue digerido, sem muco. Pode prolongar-se por mais de 3 semanas em casos graves.
Causas Comuns
Agudas: Parasitas, ingestão de substâncias tóxicas ou objetos estranhos, gastroenterites infecciosas, ou mudanças alimentares súbitas.
Crónicas: Alergias alimentares, doenças inflamatórias intestinais, ou problemas em órgãos como fígado, pâncreas e rins.
Sinais de Gravidade
Os animais podem apresentar desidratação, anorexia, vómitos, febre, perda de peso e apatia.
Animais jovens são mais vulneráveis e podem correr risco de vida.
Diagnóstico
O diagnóstico envolve exames clínicos, laboratoriais, coproparasitológicos e imagiológicos.
O seu veterinário pode fazer um exame físico que muitas vezes é complementados com exames complemementares:
Exame físico: O veterinário irá avaliar o estado geral do animal, verificar a temperatura, sentir o abdômen e verificar as mucosas.
Exames complementares: Podem ser solicitados exames de sangue, fezes, ultrassonografia, raio x ou outros, dependendo da suspeita clínica.
Tratamento
O tratamento depende da causa subjacente e inclui jejum temporário, dieta especial de fácil digestão e baixa em gordura, além de possíveis medicamentos ou fluidoterapia em casos mais graves. A fluidoterapia é muito frequentemente realizadas em medicina veterinária, visto os ca~es e gatos chegares à consulta com graus de desidratação severa. Nestes casos é necessária a administração de fluidos intravenosos para mais rapidamente se restabelecer o equilibrio hidrico e de eletrólitos. A utilização de probióticos é mais comum nos casos de diarreia atribuída a medicamentos – antibióticos, na maior parte dos casos.
Em situações crónicas, pode ser necessário investigar mais profundamente para identificar alergias ou doenças sistémicas ou intestinais específicas.
O que fazer em casa enquanto espera o veterinário:
Jejum: Por algumas horas, suspenda a alimentação para dar tempo para que o intestino se possa recuperar.
Água: Ofereça água limpa e fresca em pequenas quantidades ao longo do dia para evitar a desidratação.
Higiene: Limpe bem o local onde o animal faz as necessidades para evitar a contaminação e a propagação de bactérias.
O tratamento veterinário será específico para cada caso e pode incluir:
Dieta: Uma dieta leve e fácil de digerir pode ser recomendada para ajudar a restabelecer o intestino.
Medicamentos: Podem ser prescritos medicamentos para controlar a diarreia, tratar infeções ou aliviar dores.
Fluidoterapia: Em casos de desidratação severa, pode ser necessária a administração de fluidos intravenosos.
Figura 2 - A administração de fluidos intravenosos é muitas vezes essencial para mais rapidamente se restabelecer o equilibrio hidrico e de eletrólitos
Cuidados Domésticos
Refeições pequenas e frequentes com alimentos de fácil digestão.
Evitar ossos ou biscoitos que possam irritar o trato gastrointestinal.
Observar sinais de recaída, como sangue ou muco nas fezes, e procurar orientação veterinária.
Importância da Dieta
A nutrição desempenha papel crucial na recuperação, com foco em alimentos de alta energia, digestibilidade e fibras específicas, como Psyllium, e prebióticos (FOS e MOS). Em casos crónicos, pode ser necessária a utilização de dietas com proteínas hidrolisadas para facilitar a absorção e minimizar reações adversas.
O acompanhamento veterinário é essencial para garantir a saúde e o bem-estar do animal.

Figura 3 - A vacinação do seu animal de estimação é essencial para prevenir a muitas diarreias com origem infecto contagiosa
Prevenção
Vacinação: Mantenha seu animal de estimação com as vacinas em dia, muitas diarreias tem origem infecto contagiosa. Não se esqueça de acompanhar o
esquema vacinal do seu cão , o mesmo é distinto do
protocolo vacinal do gato.
Desparasitações: Realize as desparasitações regularmente do seu
gato e
cão, conforme orientação do veterinário.
Alimentação de qualidade: Ofereça uma alimentação balanceada e adequada à idade e raça do seu animal.
Água limpa: Garanta que seu animal de estimação tem acesso constante a água fresca e limpa.
Higiene: Mantenha o ambiente do seu animal limpo e livre de parasitas.
Lembre-se: A diarreia não deve ser ignorada. Ao perceber os primeiros sinais, procure um veterinário para um diagnóstico preciso e tratamento adequado.
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