O tumor pode ser benigno ou maligno. O tumor faz com que a hipófise produza em excesso uma hormona ACTH que estimula as glândulas adrenais a produzir cortisol.
Os tumores da hipófise podem ser microscópicos ou grandes. Dependendo do tamanho do tumor, podem estar presentes sinais clínicos diferentes dos da doença de Cushing, uma vez que um tumor de grandes dimensões pode pressionar ou interferir com estruturas próximas. Geralmente, se a atividade da glândula adrenal puder ser controlada, muitos cães podem viver uma vida normal durante muitos anos, se tomarem os seus medicamentos e permanecerem sob supervisão médica rigorosa. Se o tumor da hipófise crescer, afetará o cérebro, resultando em sinais neurológicos e prognóstico desfavorável.
Figura 1 - As glândulas supra-renais produzem geralmente esteróides. Estes glândulas estão localizados em frente dos rins. A realização de uma ecografia do cão pode ser fundamental para o diagnóstico
Prevalência da Síndrome de Cushing
As raças caninas com maior risco de contrair a síndrome de Cushing são sete: border terrier, Staffordshire bull terrier, bichon frisé, Schnauzer miniatura, Lhasa apso, Yorkshire terrier e Jack Russell terrier. O estudo ““Frequency and risk factors for naturally occurring Cushing’s syndrome in dogs attending UK primary-care practices”, identificou um total de 1 527 casos de síndrome de Cushing num estudo, de uma população de 905 544 cães em 2016, e a prevalência estimada de um ano para a síndrome em cães foi de 0,17%
Sinais Clínicos da Síndrome de Cushing
Independentemente do tipo, os sinais clínicos mais comuns da Síndrome de Cushing são:
- o aumento do apetite;
- o aumento do consumo de água e o aumento da micção;
- o aumento do apetite;
- a letargia (sonolência ou falta de atividade);
- a má pelagem.
Muitos destes cães desenvolvem um aumento de perímetro abdominal, devido ao aumento de gordura nos órgãos abdominais e ao estiramento da parede abdominal à medida que os órgãos se tornam mais pesados.
Outros sinais clínicos menos comuns incluem: respiração ofegante, pele fina, infeções cutâneas crónicas, manchas escuras (hiperpigmentação), mineralização da pele (calcinosis cutis), cicatrização deficiente da pele e infeções persistentes da bexiga.

Figura 2 – Sinais clínicos da SÍNDROME DE CUSHING EM CÃES. A síndrome de Cushing em cães é uma doença com uma sintomatologia variada. Para além da típica imagem do abdómen caído temos outros sinais que são importantes recordar como: beber e urinar em excesso; uma ‘barriga de cerveja’ (estômago inchado); manchas calvas, especialmente nas laterais/flancos e cauda; fome excessiva, manchas escuras na pele, pele fina e escamosa, propensa a pontos negros e infeções, feridas que demoram a cicatrizar, baixa energia (letargia), ofegante mais do que o normal e perda muscular
Fonte: https://www.pdsa.org.uk/pet-help-and-advice/pet-health-hub/conditions/cushing-s-disease-in-dogs
Diagnóstico da Síndrome de Cushing
Um exame clínico completo, bem como
análises de sangue (hemograma completo e perfil bioquímico ) e análises à urina ajudarão o seu veterinário a diagnosticar a síndrome de Cushing. Algumas alterações laboratoriais são comummente observadas nesta doença, como um leucograma de stress (um padrão específico no número de glóbulos brancos), uma elevação de uma enzima hepática chamada ALP, uma concentração urinária mais baixa e a presença de proteína na urina.
Exames de imagem como
radiografia e ecografia abdominal também podem ser úteis. Um fígado aumentado pode ser observado na radiografia abdominal. Uma ecografia abdominal permite visualizar as glândulas adrenais e determinar o seu tamanho e a presença de um tumor.
Poderão ser utilizados vários exames de sangue para diagnosticar e confirmar a síndrome de Cushing.
Os dois testes mais comuns para detetar a doença são: o teste de estimulação com ACTH e o teste de supressão da dexametasona em baixas doses (LDDS).
Outros testes que podem ser utilizados para ajudar a determinar o tipo de doença são os níveis endógenos de ACTH, um teste de supressão da dexametasona em doses elevadas (HDDS) ou uma relação cortisol:creatinina na urina. Embora alguns destes testes possam ser dispendiosos, são necessários para determinar o melhor tratamento e prognóstico para o seu animal de estimação.
Tratamento da Síndrome de Cushing
O tratamento depende do tipo de doença presente. Assim temos as seguintes possibilidades:
1 - Tumor hipofisário: O tratamento é o mais complicado. O trilostano (nome comercial Vetoryl®) é o medicamento mais utilizado. Atua bloqueando uma enzima envolvida na síntese hormonal. O mitotano (nome comercial Lysodren®) é outra opção. Destrói o tecido adrenal e pode estar associado a mais efeitos secundários. A cirurgia para remover o tumor da hipófise ou a radioterapia podem ser uma opção.
2 - Tumor da glândula adrenal: O tratamento de um tumor adrenal requer uma cirurgia abdominal de grande porte. Se a cirurgia for bem-sucedida (todo o tumor for removido) e o tumor não for maligno, há uma boa probabilidade de o cão recuperar. Se a cirurgia não for uma opção, alguns destes animais podem ser tratados com medicamentos, como discutido acima, embora não costumem responder tão bem. O mitotano pode ser mais eficaz nestes tumores, uma vez que pode ser destrutivo, embora sejam necessárias doses mais elevadas. A radiação pode ser uma opção.
3 - Doença de Cushing iatrogénica. O tratamento desta forma requer a interrupção do esteróide administrado. O esteróide deve ser descontinuado de forma controlada e gradual para que não ocorram outras complicações. Infelizmente, isto resulta frequentemente na recorrência da doença que estava a ser tratada com o esteróide. Além disso, como os cães com doença de Cushing têm frequentemente o colesterol elevado, é normalmente recomendada uma dieta com baixo teor de gordura. As opções alimentares potenciais incluem Royal Canin®/MD Adult Low Fat Diet
Figura 3 – A correta alimentação do cão permite um melhor controle e gestão a animais com a Doença de Cushing.
Prognóstico de Síndrome de Cushing
O médico veterinário irá delinear um plano de tratamento para a condição do seu animal de estimação. Deve seguir rigorosamente as orientações, pois estes tratamentos dependem da administração consistente e regular do medicamento. Pode ser necessário tratamento durante toda a vida.
A maioria dos cães podem ser tratados com sucesso e com poucos efeitos secundários. No entanto, o seu animal deve ser cuidadosamente monitorizado através de análises ao sangue e sinais clínicos. Os exames de sangue de acompanhamento são muito importantes para ter a certeza de que o seu animal de estimação está a receber a dosagem correta do medicamento, pois estes podem causar complicações.
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