2025-05-29
A saúde ocular dos nossos animais de companhia é muitas vezes negligenciada, mas alterações oculares podem indicar doenças graves e até levar à perda de visão. Um exame simples, chamado tonometria, permite medir a pressão intraocular (PIO) — um dado fundamental para diagnosticar e monitorizar diversas condições oftálmicas. Neste artigo, explicamos o que é a PIO, porque deve ser medida, quais os sinais de alerta e como os serviços veterinários do Hospital Veterinário ANIMALcare, dispondo de equipamento próprio para a sua medição (tonómetro), podem ajudar o seu animal no âmbito da consulta de oftalmologia veterinária.
A pressão intraocular (PIO) é a medida da pressão exercida pelo fluído (denominado de humor aquoso) que preenche o interior do olho. Este líquido transparente é produzido continuamente dentro do globo ocular, é drenado de forma controlada e é essencial para manter o formato ocular e nutrir as estruturas internas, garantindo assim o bom funcionamento visual.
A tonometria é fundamental para avaliar a saúde ocular de cães e gatos. Alterações nesta pressão podem indicar a presença de doenças oculares graves, como o glaucoma (quando a pressão está elevada) ou a uveíte (quando está diminuída). Essas condições podem evoluir rapidamente e comprometer a visão se não forem diagnosticadas e tratadas precocemente.
As alterações da pressão intraocular são frequentemente diagnosticadas em contextos clínicos, recomendando-se assim a marcação de consultas regulares, especialmente quando o animal apresenta sinais clínicos oftálmicos ou doenças predisponentes.
Em cães, o glaucoma (aumento da PIO) é mais prevalente do que em gatos e pode ser primário (hereditário) ou secundário (decorrente de outras doenças oculares, como uveítes, luxação do cristalino, tumores ou trauma). Certas raças, como Cocker Spaniel, Basset Hound, Husky Siberiano e Beagle, estão mais predispostas ao glaucoma primário. Estima-se que o glaucoma afete cerca de 0,5% a 1,7% da população canina, com maior incidência em animais adultos a idosos. Estudos indicam que emergências oculares, incluindo o glaucoma agudo, podem ser mais comuns em cães machos e em raças braquicefálicas.
Nos gatos, o glaucoma é mais frequentemente secundário, muitas vezes associado a uveíte crónica ou a doenças como a hipertensão sistémica. A uveíte anterior, que pode causar PIO diminuída, é relativamente comum, especialmente em gatos infetados com FIV, FeLV ou toxoplasmose.

Figura 1 - A verificação do estado ocular dos animais é determinante para um diagnóstico mais precoce
Dado que muitos destes sinais podem inicialmente passar despercebidos, é essencial procurar serviços veterinários ao primeiro sinal de desconforto ocular ou alteração no comportamento visual do animal.


Figura 3 - Observação do fundo do olho durante o exame oftalmológico
O tratamento das alterações da PIO depende da causa subjacente, do grau e do estado geral do olho. O principal objetivo é preservar a visão, aliviar a dor e controlar a doença primária. Pode incluir medicação, procedimentos cirúrgicos ou, em casos graves ou negligenciados, a remoção do olho. A aplicação de colírios são frequentemente a primeira linha de tratamento. No entanto os tratamentos variam em função do caso.
- Glaucoma: o tratamento médico com base em colírios hipotensores que reduzem a produção de humor aquoso ou aumentam a sua drenagem, complementado com medicação oral (em casos agudos ou graves) como inibidores da anidrase carbónica e ainda, controlo da dor com analgésicos ou anti-inflamatórios conforme necessário. Pode vir a ser aconselhado o tratamento cirúrgico para melhorar a drenagem do humor aquoso (ex: implantes de válvulas, ciclofotocoagulação com laser) ou enucleação (remoção do globo ocular), indicada quando o olho está cego, doloroso e sem possibilidade de recuperação.
- Uveíte: o tratamento médico pode ter por base o uso de colírios anti-inflamatórios como corticosteroides ou anti- inflamatórios não esteroides. No entanto é essencial fazer o tratamento da causa subjacente como, por exemplo, infeções (FIV, FeLV ou toxoplasmose), doenças autoimunes, traumas, entre outras. Uso de midriáticos pode ser aconselhado para ajudar a aliviar a dor e prevenir aderências entre as estruturas do olho.
O tratamento deve ser sempre orientado por um médico veterinário, pois uma abordagem errada pode agravar a condição. O acompanhamento regular e a medição da PIO ao longo do tempo são essenciais para avaliar a resposta ao tratamento.
O prognóstico destas afeções varia bastante consoante a causa, a rapidez do diagnóstico, o início do tratamento e a resposta individual de cada animal à terapêutica.
O glaucoma é uma emergência oftalmológica. Se não for tratado rapidamente, pode causar perda de visão irreversível em poucas horas ou dias, especialmente em casos agudos. Quando diagnosticado precocemente e bem controlado com medicação, alguns animais conseguem manter a visão durante meses ou anos, embora o glaucoma tenda a ser progressivo. Em olhos já cegos e dolorosos, a remoção do olho (enucleação) pode ser a melhor opção para garantir o bem-estar do animal.
Na uveíte, o prognóstico é mais variável, depende da causa subjacente e da gravidade da inflamação. Se for tratada precocemente e de forma adequada, muitos animais conseguem recuperar bem, com preservação da visão. Uveítes crónicas ou mal controladas podem levar a complicações como glaucoma secundário, cataratas ou descolamento da retina, que comprometem o prognóstico visual.
Em geral, o prognóstico é mais favorável quando o tutor reconhece precocemente os sinais clínicos e procura assistência veterinária rápida. O seguimento regular com consultas veterinárias, incluindo medições da PIO e exames oftálmicos, é essencial para manter a condição sob controlo e ajustar o tratamento sempre que necessário.
O bem-estar destes animais depende não só do tratamento médico ou cirúrgico, mas também de cuidados diários que os tutores podem adotar para garantir conforto, segurança e qualidade de vida.
Administrar corretamente a medicação: Siga rigorosamente as indicações do médico veterinário quanto a colírios e comprimidos. Use lembretes ou horários fixos para não falhar doses. Aprenda a aplicar os colírios de forma tranquila – manter o animal calmo e fazer o gesto com delicadeza ajuda a evitar stress.
Manter um ambiente seguro e estável: Evite mudanças no ambiente, sobretudo se houver perda de visão parcial ou total. Mantenha móveis no mesmo lugar e retire obstáculos. Use barreiras de proteção em escadas ou varandas, se necessário.
Reduzir a exposição à luz intensa: Estes animais podem ter fotofobia (sensibilidade à luz). Proporcione áreas com sombra ou iluminação suave, sobretudo após a aplicação de colírios.
Evitar traumas oculares: Não permita que o animal brinque de forma brusca com outros animais ou com objetos. Evite passeios em locais com vegetação densa ou espinhos.
Acompanhamento regular com o veterinário: A medição da PIO e o controlo oftálmico devem ser feitos com frequência e conforme o plano de tratamento. Podem surgir alterações mesmo com tratamento, e o ajuste precoce da medicação é essencial para evitar complicações.
Oferecer atenção e conforto: Animais com problemas visuais podem sentir-se inseguros ou confusos. Um tutor calmo, carinhoso e presente faz toda a diferença. Estimule o animal com brinquedos auditivos, aromas e contacto físico, adaptando a estimulação sensorial à sua nova condição.
Com cuidados adequados e acompanhamento veterinário regular, muitos animais com alterações da PIO conseguem viver de forma confortável e feliz, mesmo quando há alguma limitação visual. Desta forma, o Hospital Veterinário ANIMALcare pode acompanhar o seu animal, quer através de consultas veterinárias regulares ou em situações de urgência veterinária, estando devidamente equipado com um tonómetro para as verificações necessárias.
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