2026-05-09
Os cuidados que devemos ter com os nossos animais são os mesmos que devemos ter com uma criança até aos 3 anos. A ingestão de corpos estranhos é um problema comum em cães e gatos, especialmente em animais mais jovens e curiosos. Contudo, alguns animais mais velhos mantém comportamentos de ingestão de corpos estranhos que podem ver a causa severos problemas gastrointestinais. Esses objetos, que podem variar desde pequenos brinquedos até ossos ou pedras. Estas situações são causas frequentes de recursos às urgências veterinárias 24 horas devido aos sérios problemas de saúde se não fizerem o trânsito completo desde a ingestão à eliminação ou não forem removidos a tempo. Neste artigo relatamos alguns casos onde foi necessário o recurso aos serviços veterinários de cirurgia realizar uma intervenção cirúrgica para retirar os objetos. Para evitar estes acidentes, não deixe objetos espalhados pela casa e evite alguns comportamentos que podem levar à ingestão acidental de objetos! Veja mais dicas neste artigo.

Figura 1 – Caso clínico do Hospital Veterinário ANIMALcare – ingestão de uma agulha de costura.
Causas
Curiosidade: Cães e gatos são exploradores por natureza e tendem a colocar tudo na boca para investigar.
Filhotes: Devido à fase de dentição e à necessidade de explorar o mundo, os cachorrinhos e os gatinhos são mais propensos a ingerir objetos estranhos.
Tensão: Em situações de stresse, alguns animais podem desenvolver comportamentos compulsivos, como a ingestão de objetos não comestíveis.
Os sintomas podem variar dependendo do tipo de objeto ingerido, do local onde ele está alojado e do tamanho do animal. Alguns dos sinais mais comuns incluem:
Vómitos: Um dos sintomas mais frequentes, especialmente se o objeto estiver a irritar o trato gastrointestinal.
Diarreia: Pode ocorrer se o objeto estiver a causar inflamação ou obstrução intestinal.
Perda de apetite: A dor e o desconforto causados pelo objeto podem levar à perda do apetite.
Letargia: O animal pode ficar apático e menos ativo.
Dor abdominal: Pode ser evidente ao palpar o abdómen do animal.
Dificuldade para defecar: Objetos maiores podem causar obstrução intestinal.
Vómito com sangue: Em casos mais graves, o objeto pode causar ferimentos internos.
O diagnóstico de corpos estranhos em cães e gatos geralmente envolve uma combinação de exame físico, história clínica detalhada e exames complementares.
Palpação abdominal: O veterinário irá palpar o abdómen do animal em busca de dor, massas ou qualquer outra anormalidade.
Ausculta cardíaca e pulmonar: Para avaliar se há outros problemas de saúde que possam estar contribuindo para os sintomas.
Avaliação oral: Verificar se há algum objeto preso na boca ou garganta

Figura 2 - Animais que brinca com roupa, nomeadamente meias acabam por vezes por as ingerir
Sintomas: O veterinário irá questionar sobre os sintomas apresentados pelo animal, como vómitos, diarreia, perda de apetite, dor abdominal e dificuldade para defecar.
Hábitos: É importante informar sobre os hábitos do animal, como a ingestão de objetos, a rotina de alimentação e a presença de outros animais em casa.
Tempo de evolução dos sintomas: Saber há quanto tempo os sintomas estão presentes ajuda a determinar a gravidade do caso.
Radiografias: São os exames mais comuns para identificar corpos estranhos, especialmente aqueles que são radiopacos (aparecem nas radiografias).
Ecografia: Permite visualizar órgãos internos e identificar corpos estranhos, mesmo aqueles que não são radiopacos.
Endoscopia: Um tubo fino com uma câmara é inserido no esófago ou estômago para visualizar diretamente o corpo estranho e, em alguns casos, removê-lo.
Análises de sangue: Podem ser solicitadas para avaliar a função dos órgãos internos e detetar possíveis complicações.
Localização: Através dos exames de imagem, o veterinário consegue identificar a localização do corpo estranho no trato gastrointestinal.
Tamanho e forma: As radiografias e a ecografia permitem avaliar o tamanho e a forma do objeto, o que ajuda a determinar a melhor forma de remoção.
Tipo de material: Em alguns casos, é possível identificar o tipo de material do corpo estranho através dos exames de imagem.
O tratamento para corpos estranhos depende da localização e do tipo de objeto. Em alguns casos, o objeto pode ser eliminado naturalmente pelas fezes, mas em outros, é necessária intervenção veterinária. Esta intervenção pode passar pela realização de cirurgia. As opções de tratamento incluem:
Indução do vómito: Em casos recentes e com objetos pequenos, o veterinário pode induzir o vómito para tentar eliminar o objeto.
Endoscopia: Um tubo fino com uma câmera é inserido no esófago ou estômago para remover o objeto.
Cirurgia: Em casos mais complexos, quando o objeto está a obstruir o intestino ou a causar danos internos, a cirurgia é necessária.

Figura 3 – A ingestão de brinquedos é um caso comum também entre os nossos maiores patudos

Figura 4 - Corpo estranho removido após cirurgia, neste caso uma galinha de plástico.
Supervisione o seu animal de estimação: Evite deixar objetos pequenos ao alcance do seu animal.
Escolha brinquedos adequados: Opte por brinquedos resistentes e adequados ao tamanho do seu patudo.
Alimente o seu animal com ração de qualidade: Uma dieta balanceada pode ajudar a reduzir o comportamento de ingestão de objetos não comestíveis.
Ofereça atividades: Brincadeiras e exercícios ajudam a manter seu animal de estimação mentalmente estimulado e menos propenso a comportamentos destrutivos.
É importante lembrar que a ingestão de corpos estranhos pode ser uma emergência veterinária. Se você suspeitar que seu animal de estimação tenha ingerido algo que não deveria, procure um veterinário imediatamente. Este texto tem caráter informativo e não substitui a consulta de um médico veterinário. O nosso hospital veterinário está aberto 24 horas por dias 365 dias ao ano e a ingestão de corpos estranho constitui uma das principais causa de consulta de urgência.

Figura 5 - Radiografia de um cão que comeu sete brinquedos barulhentos e que foram retirados cirurgicamente no Hospital Veterinário ANIMALcare.
A ingestão de corpos estranhos lineares como linhas, fios, elásticos, fitas, fio dental ou fitas de Natal é uma das emergências veterinárias mais graves em cães e gatos, sendo particularmente comum e fatal em felinos. O maior perigo não é o objeto em si, mas o mecanismo de "ancoragem" no trato gastrointestinal, que causa danos progressivos e perfurações. O que pode acontecer é uma extremidade do fio prender-se e o resto do fio avança pelo intestino, mas como uma ponta está fixa, o intestino começa a apresentar um formato de acordeão, acumulando-se ao longo da linha como um tecido franzido. À medida que o intestino tenta mover o fio, a linha pode fazer um efeito de "serra" na mucosa intestinal que poder resultar em lacerações, perfurações, necrose (morte do tecido intestinal) e peritonite (infeção grave no abdómen).

Figura 6 - Imagem de cordão foi retirados cirurgicamente no Hospital Veterinário ANIMALcare.
A ingestão de ossos é uma das razões mais frequentes de urgência na prática de pequenos animais. Apesar de muitos tutores já estarem sensibilizados para evitar ossos, a realidade é que os acidentes acontecem.
A ingestão de ossos pode ser benigno em alguns casos, mas noutros evolui para situações graves como corpo estranho esofágico, obstrução gastrointestinal e perfuração.
No nosso website encontra um artigo sobre a ingestão de ossos em animais de companhia e o dilema que veterinários e tutores acabam por ter entre o esperar ou avançar para a cirurgia.
Brinquedos ingeridos por cães e gatos
Esta situação é muito frequente. Evite brinquedos que podem ser engolidos pelo seu animal de estimação. As figuras 4 e 5 ilustram alguns exemplos de radiografias e cirurgias realizadas para a remoção de brinquedos no Hospital Veterinário ANIMALcare.
A ingestão de corpos estranhos (ossos, brinquedos, meias, linhas/fios, plásticos, anzóis, agrafos, etc.) é uma causa comum de ida à urgência veterinária. Abaixo encontra uma lista de perguntas frequentes, com respostas práticas e orientadas para a decisão clínica.
Se suspeita que o seu animal ingeriu um objeto e está com vómitos, dor abdominal, prostração ou dificuldade em respirar/engolir, procure observação em Urgências ANIMALcare ou veja as opções de Consultas e Especialidades.
Corpo estranho é qualquer material ingerido que não é alimento e que pode causar irritação, obstrução ou perfuração. Em geral, os mais perigosos incluem:
Depende do objeto, do tamanho, do tempo desde a ingestão e do estado do animal. Em clínica, “esperar” pode ser apropriado em situações selecionadas, mas não é seguro quando há risco de perfuração/obstrução ou quando o animal já apresenta sinais. Quando a ingestão é recente, pode existir uma janela para remoção menos invasiva (por exemplo, induzindo o vómito ou por endoscopia), dependendo do caso.
Regra geral, não sem orientação veterinária. Induzir vómito pode ser perigoso, especialmente se o objeto for:
A regurgitação é um retorno passivo (sem esforço abdominal), muitas vezes com comida não digerida, e sugere problema no esófago (onde corpos estranhos são particularmente urgentes). O vómito tende a ter náusea, salivação e esforço abdominal, e aponta mais para estômago/intestino. Esta distinção ajuda o veterinário a priorizar exames e abordagem.
Gatos podem prender a linha debaixo da língua e o restante fio avançar pelo tubo digestivo. O intestino tenta “puxar” o fio e pode ficar “plissado” (efeito acordeão), aumentando o risco de laceração e perfuração. Se suspeitar de ingestão de linha/fio, é caso de urgência — e nunca tente puxar um fio que esteja visível.
Depende do tipo de objeto e da suspeita clínica. Frequentemente incluem:
A ANIMALcare integra diferentes valências clínicas e meios de diagnóstico — veja os Serviços Veterinários.
A endoscopia é frequentemente considerada quando o objeto está no esófago ou no estômago e há possibilidade de remoção segura sem cirurgia, sobretudo se a ingestão foi recente e o objeto é acessível. A indicação depende do tipo de corpo estranho, estabilidade do paciente e risco de lesão.
A cirurgia torna-se necessária quando existe:
Sim, alguns objetos pequenos e não pontiagudos podem transitar e ser eliminados. Contudo, isto não deve ser assumido sem avaliação, porque o risco varia muito com tamanho, formato, material e espécie (cães vs gatos). A recomendação mais segura é discutir o caso com um Médico Veterinário.
Artigo revisto de em: Abril de 2024 e Maio de 2026
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