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Prevenção de mordidas por cães e gatos – Guia prático veterinário

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Prevenção de mordidas por cães e gatos – Guia prático veterinário

Prevenção de mordidas por cães e gatos – Guia prático veterinário

2025-09-25

A prevenção de mordidas em cães e gatos é essencial para a segurança de tutores, de familiares e da equipa médico-veterinária.
O ato de morder ou de atacar geralmente é interpretado como um sinal de agressividade em animais de companhia, no entanto, a maioria das situações acontece quando o animal está assustado, com dor ou desconfortável com a manipulação. Assim, reconhecer os sinais de stress e abordar o animal de forma adequada fazem toda a diferença.
As mordidas decorrentes de lutas entre animais são uma situação frequente para recurso aos serviços veterinários de urgências 24h e a consultas e especialidade em comportamento no Hospital Veterinário ANIMALcare.

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Porque os animais mordem?

As principais razões são:

  • Medo ou dor: morder é uma reação defensiva comum em situações de sofrimento
  • Falta de socialização: animais pouco habituados a diferentes estímulos tendem a reagir de forma mais agressiva e a morder com mais facilidade
  • Manipulação forçada: a contenção brusca, a contenção inadequada ou aproximações rápidas aumentam o risco de mordida

Como prevenir ser mordido pelo meu animal?

Aprenda a interpretar a linguagem corporal

Os nossos patudos apresentam diferentes comportamentos que servem para mostrar o que estão sentindo. É importante que os tutores conheçam a linguagem corporal dos seus gatos e cães e percebam qual é o seu comportamento normal e quando há sinais que não encaixam-se neste padrão.
Portanto, fique atento aos sinais:

Nos cães

  • Sinais de alerta: pelo eriçado, corpo rígido, olhar fixo
  • Sinais de desconforto: lamber os lábios, bocejar, olhar de lado
  • Sinais de agressividade: rosnar, mostrar os dentes, orelhas para trás

Nos gatos

  • Sinais de stress: esconder-se, postura encolhida, imobilidade
  • Sinais de alerta: tremores, pelo eriçado, orelhas para trás
  • Sinais de agressividade: vocalização intensa, rosnar, cauda agitada

  Infográfico a apresentar as diferentes linguagens corporais de cães e gatos, conforme suas emoções

Figura 1. Os tutores precisam conhecer o comportamento normal do seu animal e quando há sinais que obrigam a maior atenção e prudência na abordagem

Utilize ferramentas de proteção de forma positiva

Tanto o açaime, para cães, quanto a transportadora, para gatos, devem ser associados a passeios e momentos agradáveis.
Para cães perigosos ou de raças potencialmente perigosas, a utilização de açaime na via pública é obrigatória por lei. No entanto, independente da raça, para cães com comportamento mais reativo, o uso regular do açaime facilita muitas situações futuras, nas quais possa vir a ser necessário, como deslocações para viagens ou idas a consultas veterinárias.

  Fotografia de um cão grande, da raça Malamute do Alasca, a aproveitar um passeio na rua com o açaime

Figura 2. Associar o açaime aos passeios diários do seu cão evita que seu uso seja interpretado como castigo

Todos os cuidados com o transporte de gatos para o veterinário são essenciais para garantir uma experiência o mais tranquila e segura possível para o seu felino e facilitar o trabalho do seu médico veterinário.
Transforme a transportadora do seu gato em um local de refúgio, com mantas e guloseimas, para não ser associada apenas a ida ao veterinário ou a outras situações stressantes.

  Fotografia de um gato filhote a usar a transportadora desde o início da sua vida

Figura 3. Gatos são animais de rotina, por isso é importante introduzir o uso da transportadora desde o início da vida do animal

  Fotografia de um gato preto feliz e calmo dentro de sua transportadora, em uma consulta veterinária

Figura 4. Associar a transportadora do seu gato a momentos agradáveis faz com que as consultas veterinárias também sejam mais tranquilas para o seu patudo

Promova a socialização e a ambientação

  • Acostume o animal a diferentes pessoas, sons e ambientes desde cedo
  • Utilize reforços positivos, como: petiscos, brinquedos ou carinho para consolidar boas experiências
  • Nunca utilize reforços negativos para os comportamentos inadequados. Isto pode causar um trauma e fazer com que o animal desenvolva um comportamento mais agressivo
  • Se o animal não responder ao comando solicitado, ignore e recompense apenas quando ele fizer a ação correta

Quais são os benefícios de seguir estas recomendações?

  • Maior bem-estar e qualidade de vida do animal
  • Menos stress em consultas e cuidados médicos
  • Recuperação clínica mais rápida e tranquila
  • Passeios, viagens e férias mais seguros e agradáveis

Quais técnicas o veterinário poderá aplicar para evitar mordidas durante uma consulta?

Nem todos os animais reagem bem às visitas ao veterinário. Muitos associam o consultório a momentos de stress e ansiedade, podendo apresentar comportamentos agressivos. Nestes casos, existe risco de acidentes tanto para a equipa veterinária como para os tutores.
Por isso, é importante que os tutores treinem os seus animais e colaborem na contenção segura. Quando tal não é possível, o veterinário pode recorrer a diferentes estratégias:

Estratégias em cães

  • Uso de trela, colar isabelino ou açaimes (idealmente colocados pelo tutor, reduzindo o stress)
  • Movimentos lentos, evitar falar alto ou aproximações bruscas
  • Nunca colocar mãos ou rosto perto da boca do animal sem contenção adequada
  • Em consultas programadas, pode-se recorrer a medicação calmante prévia, como a trazodona
  • Em situações de urgência, pode ser necessária sedação ligeira e, em alguns casos, combinar à analgesia

Estratégias em gatos

  • Uso de toalhas para envolver o gato, proteger patas e boca, e vendar os olhos para reduzir estímulos
  • Transportadoras com abertura superior, que facilitam o uso do colar isabelino e o corte das unhas
  • Em consultas programadas, pode ser administrada gabapentina para diminuir o stress
  • Em situações de urgência, pode ser necessária sedação com analgesia ou até uma rápida anestesia inalatória com isoflurano
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Perguntas Frequentes (FAQ)

1. Porque é que os cães e gatos mordem?
Porque estão assustados, com dor ou em situações de stress. Reconhecer os sinais é essencial para evitar acidentes.

2. Como ensinar um cão a usar açaime sem stress?
Associe o açaime a momentos positivos, como passeios e guloseimas, para que o cão o aceite naturalmente. Evite o seu uso apenas durante momentos de stress, como uma consulta veterinária.

3. Como habituar o meu gato à transportadora?
Deixe a transportadora acessível em casa, com mantas e petiscos, para que o gato a veja como um local de conforto.

4. Quais são os sinais de que um cão pode morder?
Corpo rígido, pelo eriçado, olhar fixo, rosnar, mostrar os dentes ou orelhas para trás.

5. Quais são os sinais de que um gato pode morder?
Orelhas para trás, pelo eriçado, vocalizações intensas, cauda a bater e postura encolhida.

6. Porque é necessário sedar ou anestesiar cães e gatos em alguns procedimentos veterinários?
Nem todos os animais permitem colheitas de sangue, raio-x ou outros exames sem stress. A sedação ou anestesia evita agressividade, protege a equipa veterinária, os tutores e o próprio animal, garantindo uma contenção segura.

7. É aconselhável sedar ou anestesiar cães e gatos?
Sim. Em animais stressados ou agressivos, a sedação ou anestesia reduz o risco de acidentes e promove a segurança e o bem-estar do animal.