2024-12-11
A Otite é uma inflamação do ouvido externo, médio ou interno, e é um problema frequemente observado em cães, gatos e coellhos no nosso hospital veterinário. Ela pode causar muito desconforto ao seu animal de estimação, e, se não tratada adequadamente, pode levar a complicações mais sérias que variam de lesões localizadas e com compromisso apenas auricular e lesões cutâneas até lesões graves com necessidade de recurso à cirurgia, como otohematomas, ou manifestações neurológicas graves associadas a otites médias e internas.
As otites externas são uma condição comum frequentemente observada em clínicas e hospitais veterinários de animais de companhia. A otite é definida como inflamação do canal auditivo com ou sem envolvimento do pavilhão auricular. A otite é frequentemente considerada um diagnóstico final, mas é apenas um sinal clínico. Os muitos fatores que podem contribuir para a otite precisam de ser abordados pelos eu médico veterinário para que as infeções iniciais não evoluam para alterações crónicas, como danos estruturais irreversíveis no canal auditivo e na cartilagem. Estes sinais podem ser observados no cão, gato e coelho.
A otite média ou interna, consiste na inflamação do ouvido médio, é menos frequente em medicina veterinária. Os sinais clínicos incluem otite externa recorrente, mas acompanhada por outros sinais como tremor de cabeça, dor ao abrir a boca, síndrome de Horner, olho seco e paralisia do nervo facial. A otite interna é uma inflamação do ouvido interno (cóclea, vestíbulo e canais semicirculares) sendo assim acompanhada de manifestações neurológicas em animais de estimação.

Figura 1 – A anatomia da orelha. A relação entre os processos inflamatórios no canal auditivo externo que consiste na região da orelha, entre o pavilhão auricular e a membrana timpânica com a inflamação que possa afeta a região do ouvido médio, localizada atrás do tímpano (otite média) ou outras regiões do ouvido interno, como a cóclea e o sistema vestibular (otite interna) condiciona as diferentes situações de otite que o seu médico veterinário pode observar na consulta em cães, gatos e coelhos.
A causas das otites em animais de estimação estão relacionadas com múltiplos fatores. Para ajudar na identificação do problema, a otite externa pode ser classificada em 4 categorias, tendo em consideração os fatores predisponentes, e as causas primárias, secundários e crónicas. Os fatores predisponentes da otite não provocam doenças no ouvido. Apenas tornam o animal mais suscetível a ela ou a uma doença mais grave. Os fatores predisponentes podem ser conformacionais, obstrutivos ou iatrogénicos; o aumento da humidade no canal auditivo é também um fator predisponente.

Figura 2 - Exemplo de um caso do Hospital Veterinário da ANIMALcare. A) O processo inflamatório observado na região interna do pavilhão auricular é justificado pelo excesso de pelo presente e removido da orelha durante a tosquia da face interna (B) e externa da orelha (C). A tosquia e limpeza das orelhas reduz os riscos de otites
Os fatores primários são, em última análise, a razão pela qual a otite começa. Reações adversas a alimentos são uma das principais causas nos cães com prurido não sazonal e responsável pelo desenvolvimento de otite externa. Situações de atopia, respostas autoimunes, corpos estranho e parasitismos são também responsáveis para início da doença.

Figura 3 – A pragana, causa frequente de otites. (A) Remoção de uma pragana, parte da planta que parece uma seta de um cão através de videootoscopia e fórceps. (B) Pragana após a remoção. (Fonte https://todaysveterinarynurse.com/dermatology/otitis-externa-inflammation-of-the-ear-canal/)
As infeções e o excesso de limpeza são exemplos de fatores secundários de otite. Estes fatores não provocam, por si só, otites. Em vez disso, são o resultado de uma doença do ouvido e contribuem para o fator principal. Os fatores secundários devem ser tratados juntamente com a causa subjacente, ou seja as causas primárias. Quando as causas primárias não são corretamente identificadas podemos passar a situações crónicas da otite com alterações na anatomia e fisiologia provocadas pelos fatores primários e secundários. Estas alterações podem incluir perda de migração epitelial, edema, alterações proliferativas, estenose e até calcificação do canal.

Figura 4 – Imagem de otite crónica proliferativa (Fonte https://todaysveterinarynurse.com/dermatology/otitis-externa-inflammation-of-the-ear-canal/)
Em resumo, as causas da otite são variadas e podem incluir:
Figura 5 -Os principais parasitas associados à otite em gatos são os ácaros, especialmente o Otodectes cynotis, conhecido como ácaro da sarna do ouvido. Este parasita causa intenso prurido ou comichão, inflamação e secreção no canal auditivo, levando à otite. Neste vídeo pode verificar os parasitas em movimento na análise microscópica do esfregaço recolhido durante a consulta. Esta análise permite conhecer com precisão a causa de direcional a terapêutica do tratamento da otite.
Os sintomas da otite podem variar dependendo da causa e da gravidade da inflamação, mas os mais comuns incluem:

Figura 6 – Principais sinais da otite externa. Estes podem variar dependendo da causa e da gravidade da inflamação. Fonte https://vetic.in/blog/pet-health/what-is-otitis-externa-in-dogs-why-do-the-signs-of-otitis-externa-deserve-your-immediate-attention/.
Estes sinais podem por vezes evoluir para manifestações mais graves que incluem inclinação ipsilateral da cabeça, nistagmo horizontal ou rotatório espontâneo e outros sinais de doença vestibular periférica. Entramos assim nas manifestações de otite média ou interna.

Figura 7 – Principais sinais da otite média. Estes podem variar dependendo da causa, evolução e da gravidade do processo.
O diagnóstico da otite em cães, gatos e coelhos é fundamental para um tratamento eficaz e pode envolver diferentes tipos de otite: externa, média e interna. O seu veterinário o poderá ter que seguir diferentes passos, por vezes prolongado para realizar esse diagnóstico.
No início o veterinário colhe informações detalhadas sobre os sintomas do animal. Esta informação deve ser complementada com uma observação com o otoscópio para examinar o canal auditivo externo e o tímpano. Essa visualização permite identificar vermelhidão, inchaço, pus, cerume excessivo, pelos e outros sinais de inflamação ou infecção. O veterinário irá ainda palpar a região do ouvido para avaliar a presença de dor e inchaço. Os exames complementares começam muitas vezes com citologias e culturas. As citologias permitem fazer um exame do material colhido do ouvido para identificar a presença de bactérias, fungos ou células inflamatórias. A cultura permite identificar o agente causador da infecção e determinar a sensibilidade aos antibióticos.
Em casos mais complexos, pode ser necessária uma biópsia para avaliar a presença de tumores ou outras alterações teciduais e em alguns casos, podem ser solicitados exames de imagem, como raio x, tomografia computadorizada ou ressonância magnética, para avaliar a extensão da lesão e identificar complicações.
O tratamento da otite deve ser indicado pelo seu médico veterinário e varia de acordo com a causa da inflamação. Geralmente, inclui:
Para prevenir a otite em cães, gatos e coelhos, siga estas sugestões:
A correta higiene dos ouvidos dos seus patudos desempenha um papel essencial na prevenção das otites. A limpeza deve começar pela remoção do pelo, seguida de uma limpeza com compressas.
O que necessita:
Como limpar os ouvidos:

Alguns dos líquidos de limpeza avançada de ouvidos para cães, gatos e coelhos podem também ser usados em coelhos. Podem ser utilizados em situações de rotina e de manutenção do equilíbrio auricular. Geralmente estas substâncias são solventes do cerúmen, desodorizante, secante e não irritante. Estas substâncias ajudam a remove os detritos acumulados no ouvido, proporcionando uma boa higiene do ouvido externo. A frequência de aplicação varia consoante o objectivo da utilização, consulte o seu médico veterinário para mais informações.
É importante ressaltar que a automedicação não é recomendada. Se você notar algum dos sintomas de otite no seu animal de estimação, leve-o ao veterinário para um diagnóstico preciso e tratamento adequado. Os animais com otite externa recidivantes, tendem para a doença crónica recorrente e devem ser submetidos a testes alimentares e avaliação de atopia para determinar se as alergias alimentares e/ou ambientais podem ser a causa primária. A avaliação de outros testes laboratorial também pode ser considerados. Lembre-se, a otite pode ser uma condição crônica, e o tratamento pode ser necessário por longos períodos. A prevenção é a melhor forma de evitar o sofrimento do seu animal de estimação. Em caso de necessidade pode contactar os nossos serviços veterinários que melhor se ajustam às necessidades do seu patudo.
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