2025-11-30
O albinismo é uma condição genética hereditária rara que afeta a capacidade do organismo de produzir ou distribuir melanina, o pigmento responsável pela cor da pele, pelo e olhos. Esta condição é caracterizada pela ausência total ou quase total de pigmento (melanina) nos melanócitos. A sua função principal é a proteção contra os raios ultravioleta (UV) do sol, atuando como uma defesa natural que absorve e dispersa a radiação nociva, prevenindo danos como queimaduras e envelhecimento precoce.
Se nota que o seu patudo tem zonas do corpo com alterações de coloração, deve trazê-lo para observação médico-veterinária, estando o Hospital Veterinário ANIMALcare , no Porto, pronto para o ajudar através da marcação de uma consulta orientada para a componente de dermatologia .
O albinismo resulta de mutações genéticas que afetam as vias de síntese da melanina. Na maioria dos casos, a mutação ocorre no gene da tirosinase (TYR), que codifica a enzima essencial para converter o aminoácido tirosina em melanina. É uma condição autossómica recessiva, o que significa que o animal deve herdar uma cópia do gene mutado de ambos os pais para manifestar a doença. Os portadores que possuem apenas uma cópia são saudáveis, mas podem transmitir a condição.

Figura 1 - O nascimento de uma ninhada com um animal albino é sempre um motivo de curiosidade. O seu médico veterinário deve explicar os possíveis cuidados especias necessários.
A ausência de melanina, um protetor natural contra a radiação UV, e a sua importância no desenvolvimento neurossensorial, levam a uma série de preocupações de saúde que exigem cuidados veterinários especializados e prevenção ativa:
Fotoproteção Extrema: A pele não pigmentada é extremamente sensível à radiação ultravioleta (UV). Maior Risco: Os animais albinos têm uma predisposição significativamente maior para queimaduras solares, dermatites actínicas (lesões de pele induzidas pelo sol) e, mais gravemente, para o desenvolvimento de neoplasias cutâneas malignas (cancro de pele), como o carcinoma de células escamosas. Gestão clínica: É imperativo limitar a exposição solar, especialmente nas horas de pico, e utilizar protetor solar específico para animais nas áreas mais expostas (como orelhas, nariz e barriga).
A ausência de melanina na íris e na retina (que normalmente atua absorvendo a luz dispersa) causa distúrbios visuais: Fotofobia: Sensibilidade extrema à luz forte devido à maior penetração da luz no olho. Os olhos albinos costumam ser azuis, cinzentos ou rosa/vermelhos (devido à visualização dos vasos sanguíneos). Redução da Acuidade Visual: A falta de pigmentação na fóvea pode afetar a visão, tornando-a menos nítida. Nistagmo: Movimento involuntário e repetitivo dos olhos. Hipoplasia da Fóvea e Desvio das Vias Óticas: Em alguns casos, o desenvolvimento anormal das vias nervosas que se cruzam no cérebro (quiasma ótico) pode levar a défices visuais mais sérios.

Figura 2 - Ninhada de gatinhos albinos com sinais oculocutâneos. Todos os gatos apresentavam nistagmo e algum estrabismo.
Embora a surdez seja mais classicamente associada a cães e gatos de pelagem branca com o gene Merle ou com o gene $W$ (branco dominante), algumas linhagens de animais albinos verdadeiros podem apresentar uma predisposição aumentada a problemas auditivos devido a defeitos nos melanócitos do ouvido interno.
É importante notar que o albinismo verdadeiro (ausência completa ou quase completa de melanina devido a mutações como a do gene $TYR$) é uma condição rara e pode surgir em qualquer raça de cão ou gato, incluindo os sem raça definida (SRD).No entanto, em cães, algumas raças foram identificadas com uma predisposição genética específica para variações do albinismo oculocutâneo ou para carregar o gene recessivo.
O albinismo em cães é frequentemente associado a uma mutação no gene SLC45A2 (que codifica uma proteína envolvida no transporte de melanina) ou no gene TYR (tirosinase). As raças que parecem ter uma maior incidência ou que foram mais estudadas em relação ao albinismo ou condições relacionadas de hipopigmentação severa incluem:
No mundo felino, o albinismo verdadeiro também é considerado extremamente raro e não está ligado a uma raça em particular. Pode surgir em qualquer felino doméstico (SRD, Persa, etc.). No entanto, existe uma distinção genética relevante em relação às raças Colourpoint (Pontas Coloridas):
É crucial não confundir o albinismo verdadeiro com gatos brancos puros que não são albinos. Raças famosas pela sua pelagem branca, como o Angorá Turco, Persa Branco ou Sphynx, obtêm essa cor através de outros genes (como o gene $W$ - Branco Dominante) que suprimem a cor, mas que geralmente mantêm a capacidade de pigmentar os olhos (azuis, verdes ou de cores diferentes) e a pele (coxins e nariz).

Figura 3 -Não confundir o albinismo verdadeiro com gatos de raças branco puros que não são albinos
O bem-estar de um animal albino depende de um programa de saúde preventiva rigoroso, focado principalmente na proteção solar e em exames oftalmológicos regulares para monitorizar a progressão de quaisquer problemas visuais. Enquanto o albinismo verdadeiro é um evento genético raro que pode ocorrer em qualquer animal, o Doberman Pinscher é frequentemente a raça mais associada ao estudo do albinismo canino, e o Siamês representa uma forma de albinismo parcial adaptada.
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